
Ser solitário é ótimo, ainda que impossível
Sou partidário da lógica da solidão. Ela é muito particular. Mesmo assim, conheço outras pessoas que a praticam em silêncio. Aliás, todos a praticamos silenciosos. Sabe-se lá quantos somos... Talvez nem seja conveniente saber, pois isso pode trucidar nossa solidãozinha. Essa é uma lógica muito fabulosa, mas que se queria bem real. Percebi que estava instituída quando fui fazer um desses concursos públicos. Com o comprovante, fui até o local designado. Já podia ver o prédio inteiramente vazio, afinal somente eu seria estúpido (ou esperto, isso depende muito) suficiente para fazer aquela prova. É assim: você vai fazer alguma coisa (pegar filas em instituições públicas, fazer viagens para o meio do mato em algum feriado, viajar com o banco do ônibus vazio, fazer provas e concursos, etc) e acredita que ninguém teve a mesma idéia, logo, você estará sozinho. É, portanto, um ideário fadado ao fracasso, pois as filas estarão sempre cheias, o meio do mato estará repleto de pessoas com idéias brilhantes como as suas e as provas e concursos terão inúmeros concorrentes que estarão na merda, assim como você. Mas, não importa. O que vale mesmo são os minutos anteriores à decepção. É um delírio que garante alguns minutos de felicidade, seja porque seremos aprovados com folga no concurso, ou no mínimo porque poderemos pedir nossa declaração de imposto de renda dos últimos cinco anos sem que tenhamos que ouvir a Dona Maria reclamando dos calos no pé, ou do problema que tem nos rins.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home