terça-feira, janeiro 23, 2007

Nine inch nails?
Nem sei bem o porquê, mas sou bastante incomodado por unhas, em geral. Sou daqueles – se é que existem – que pensam que elas não deveriam existir; os dedos deveriam ser totalmente recobertos de pele mesmo, sem unhas. A princípio pode ser estranho pra quem nunca imaginou, mas não pra mim. Dentre outras vantagens, a econômica para as mulheres e metro-sexuais, e a higiene para alguns homens e mulheres. Para mim, não existiria o pesadelo de uma unha enorme sendo partida inteira – vi isso num filme e ainda me dói -, ou o incômodo com alguns vermelhos cintilantes ou ainda com a pronúncia daquela palavrinha irritante chamada cutícula. Poderíamos realocar nossas vaidades em outro lugar, talvez. Não esqueçamos também de que seríamos poupados de gastar minutos valiosos de nossas vidas cortando as unhas. Cortar unha é sempre um tormento. Quando pequeno, morria de dor e sentia os dedos diferentes depois que minha mãe aparava minhas unhas. Permanecia o resto do dia com as mãos fechadas, que, segundo minha teoria infantil, neutralizava os efeitos nefastos daquele corte. Com o tempo, o transtorno se modificou. Se antes o problema eram as minhas unhas, hoje são as dos outros e o que eles fazem com elas. Já me acostumei com cores diversas e isso nem me chateia tanto mais, mas não venha cortar as unhas na minha frente! Nem me incomodo muito com palitadas no dente, mas cortar unhas, só no banheiro com a luz apagada. Há também aqueles violonistas com uma ou duas unhas zédocaixonescas. Dias desses fui ao guichê de um shopping pagar o bilhete de estacionamento. Eis que percebo que o rapaz dentro do aquário tinha essas uma ou duas unhas enormes. Logo pensei, pra não pensar o pior, que deveria ser um violinista – de grupo de pagode, talvez. Para meu desconforto, meu troco viria em moedas. Num átimo, que parecia conter uns bons minutos, tentei formular uma estratégia para que aquelas unhas horrendas não encostassem em mim, pois com moedas, há aqueles que largam-nas na bancada, que atiram-nas na sua mão, ou aqueles que as depositam delicadamente em sua palma. Minha estratégia tentava conter a última. Fui interrompido no auge de minhas formulações. Acreditei que o funcionário de unha grande deixaria as moedas sobre a bancada. Mas não. Acho que ele foi ungido com certo instinto animal, daquele tipo que diz que quando alguém demonstra medo é que os bichos atacam de verdade. O rapaz deve ter percebido meu desconforto com suas unhas e sua ação foi a do ataque. Notei que não colocaria meu troco na mesa e me preparei para a conchinha. Tentei manter minhas mãos afastadas e fechei os olhos. Mas foi em vão. Elas encostaram em mim. Derrota.